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| Revista
- ISTOÉ Matéria publicada no dia 27 de Setembro de 1995 Revista Nº1356 Texto redigido por - Gilberto Nascimento Bolshoi da Zona Leste Bailarina que atuou na Rússia e Itália dirige grupo de dança na periferia de São Paulo e leva jovens àEuropa. A família Pestelli sempre dedicou às artes
e quis manter, no Brasil, uma tradição importada de sua
cidade, Florença, na Itália. Quando chegaram ao País,
em 1951, o pai trabalhava em uma metalúrgica. A mãe estudou
canto, uma das irmãs tocava piano e o irmão, acordeom. A
pequena Dolores começou então a aprender balé, aos
sete anos, com os melhores professores, primeiro no Rio e depois em São
Paulo. Maria Dolores tornou-se a estrela da clã Pestelli, iniciou
carreira internacional e chegou às famosas companhias Bolshoi e
Kirov (na Rússia), La Scala (Itália), além de trabalhar
nos Estados Unidos. Hoje, aos 50 anos, Maria Dolores poderia formar novas
virtuoses em qualquer parte do mundo. Mas escolheu o bairro de São
Miguel Paulista, na periferia de São Paulo, onde mora, para criar
sua primeira companhia. Desde 1985 ela dirige o Ballet Nacional do Brasil,
que excursiona por todo o País e mantém intercâmbio
com o Bolshoi, o La Scala, de Milão, o Ballet de Cuba e o Teatro
Nuovo, de Turim. Em 1996 dois jovens bailarinos formados em São
Miguel Paulista viajarão à Rússia para fazer estágio
no Bolshoi. "Fazemos um Ballet de primeiro mundo em plena Zona Leste",
diz Maria Dolores. Conta somente com uma ajuda de uma universidade do bairro, a Cruzeiro do sul, que dá uma pequena contribuição financeira e cede um sobrado para realização das aulas. " Arrecadamos cerca de R$ 2.500 por mês com as mensalidades. Depois do pagamento dos oitos professores, água, luz, telefone e equipamentos sobram uns R$ 500. "Seria o meu salário, mas eu devolvo aos alunos para os gastos com figurino", afirma. O grupo já fez 12 montagens, a um custo médio de R$ 5 mil. A última foi vida e obra de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Uma das alunas mais entusiasmadas é Adriana Patrício, 21 anos, há 12 no grupo. Filha de um pedreiro que vive de bicos, ela vende cachorro - quente nas ruas de Suzano, na grande São Paulo. Ganha, por mês, praticamente o que gasta em passagem de ônibus de Suzano a São Miguel. Nunca falta aos ensaios do corpo do baile . Mas "minha mãe me colocou no balé, mas hoje ela reclama porque não ganho dinheiro e ajudo pouco em casa", lamenta Adriana. "O balé é o que eu mais gosto na vida . Um dia, a situação vai melhorar", espera Frávia Paradela, 21 anos, que participa do grupo contra a vontade da família. "meu pai queria que eu estivesse juntando dinheiro para comprar um carro e não dançando", diz. Já o taxista Antônio Diógenes Piauhy se enche de orgulho ao ver a filha Tapuia Piauhy, 17 anos, ganhar experiência como Bailarina. Até contribuir com um salão em casa para que a garota possa dar aulas, assim que concluir o curso. Vaidosa, Elisângela Titto, 15 anos, conta que seu pais "foram às nuvens" quando souberam ela era uma das eleitas para um estágio de dois meses na Itália, no início do ano. "Meu pai não queria nem que eu saísse na rua, com medo que machucasse e não pudesse dançar na Itália." O intercâmbio entre a zona leste paulistana e a Europa continua a todo vapor. Dois professores do Bolshoi darão um curso em São Miguel nesta semana. No início de 1996, será a vez de os bailarinos Rubens do nascimento, ex-guitarrista e corretor de seguros, e Flávia Rosa, estudante, viajarem à Rússia cumprindo um estágio no Bolshoi. Jornal - O Estado de S. Paulo Formação de bailarinos é
'prata da casa' O centro de Artes é um dos maiores orgulhos da Universidade
Cruzeiro do Sul. Criado em 1980 ele promove o curso de formação
profissional de bailarinos e mantém o grupo Ballet nacional do
Brasil. O corpo de baile da Unicsul já fez apresentações
em alguns palcos da Cidade em shows realizados nos teatros Sérgio
Cardoso (região central) e Paulo Eiró (Zona Sul). Janaína de Oliveira, de 16 anos, é uma das persistentes. Bailarina há sete anos, ela conta os segredos para a "longevidade" na dança: disciplina e força de vontade. "É preciso amar o baile e saber se expressar por meio do corpo", Acredita Marcos Rosseton que estuda balé há dois anos e é integrante do pequeno grupo de bailarinos. Já Érica Cardoso tenta provar que dança é tradição na família. Sua irmã faz parte do Brasil e ela pretende seguir seus passos, tarefa que cumpre há três anos (C.M.) |
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